“Encontro”

Escrevi este texto “Encontro”, em 2015. Hoje apeteceu-me recuperá-lo do baú, pois continua a fazer sentido para mim.

Trazes no rosto as marcas dos anos em que calcorreaste, displicentemente, os caminhos do mundo. Vejo-os em cada traço, sinto-os a cada toque, vislumbro momentos da tua história, segundo ma contaste, qual romance de época, com aventuras em locais distantes no espaço, no tempo e na vivência. E tudo o que és brilha sob essa pele vivida, que reflecte a ondulação do mar salgado em noite de tormenta. Perco-me nas curvas e contracurvas do teu rosto, do teu percurso, e mergulho no teu felino olhar hipnotizante. Nele te procuro e nele me encontro. Desbravaste os caminhos do mundo por largos anos, até os cordéis do universo nos colocarem nesta encruzilhada em que olhamos juntos na mesma direcção. Mas nunca estiveste só, pois fui sempre parte de ti. Quando duvidaste, fui a inquietação que te levou a cogitar. Quando te rebelaste, fui a chama que te fez insurgir. Quando lutaste, fui a centelha que te levou a não baixar os braços. Quando sonhaste, fui a quimera que ousaste perseguir. E, assim, todos os vazios, todas as inquietações, todas as lágrimas, todas as melodias e todos os silêncios te trouxeram a mim. Deste modo, duas almas que vagueavam o mundo, remando contra a maré, viram o esplendor da sua potencial luz, marcando o início de uma nova era, uma era em que a verdade liberta, em que a vida é amor universal, compreensão e partilha. E jamais remaram novamente contra a maré, pois o vento mudou e a maré está a favor. Vamos, pois, à bolina, sorrindo, sonhando e vivendo

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